Efeito Pigmaleão

Em Psicologia Educacional estamos lendo um texto á respeito do tema da “Expectativa Professor – Aluno” mais precisamente, uma publicação da revista Scientific American (Ed. 1473) de autoria de Robert Rosenthall e Leonor Jacobsson de 1968, entitulado “Expectativa do Professor com relação á alunos pobres”, destinado a discutir o fenômeno da “Profecia Auto Realizadora na Educação”.

 Basicamente, aponta uma sequência de pesquisas e estudos nos quais foi possível verificar a existência de uma melhora no desempenho escolar (ou uma piora) de acordo com a expectativa positiva (ou não) diante do aluno por parte do professor. Ou melhor, “Alguém profetiza um evento, e a expectativa do evento muda o comportamento de quem fez a profecia de tal modo que torna a profecia mais provável” (Rosenthal, 1966, pág. 196). Não tiro o mérito da discussão no sentido de que pode mesmo nos ajudar em sala, ainda porque nos faz refletir nossa postura diária em sala… tendo em mente que quando o professor espera um bom desempenho, ele mesmo dispende maior entusiasmo e fornece constante motivação em suas palavras ou atitudes, diferente de quando o subestima, faz com que esse passe a ser o foco da relação entre eles, podendo causar desmotivação e desinteresse.

Eu acredito que muitos de nós tenhamos um punhado de experiências para compartilhar a respeito de professores que agiram desta forma conosco, positiva ou negativamente, (eu mesma qualquer dia comento a minha aqui) mas o que mais gostei dessa temática e que me fez querer postar no blog e compartilhar, é que, se você vai pesquisar sobre o tema, é muito comum sua associação com a Mitologia.

 “O mito sobre um escultor chamado Pigmaleão que desiludido com as mulheres decidiu viver sozinho, mas para suportar a solidão esculpiu uma mulher perfeita segundo seus referenciais de beleza, tanta era a perfeição que ele apaixona-se pela perfeição da própria obra e a nomeia de Galatéia. Tão apaixonado,  implora à deusa Afrodite que faça com que conheça uma moça como aquela e a Deusa concede o impossível, que a obra em pedra torne-se mulher de carne e osso, o escultor então casa-se com ela e tem um filho”.

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Tal mitologia apropriada pela Psicologia torna-se o Efeito Pigmaleão, utilizado na educação sob a idéia de que quando os professores esperam um grande progresso de seus alunos, eles progridem duas vezes mais rapidamente. O desempenho do aluno é portanto, proporcional às expectativas do professor…ou seja professores com pouca expectativa em relação aos seus alunos podem comprometer o processo de aprendizagem deles, em contrapartida, o inverso também pode acontecer.

Diante disso, a gente fica meio assustada em pensar que além de toda a “responsa” diante da carreira que escolhemos, ainda é possível influenciar além do conhecimento e desenvolvimento da aprendizagem, as atitudes, e valores a partir da nossa expectativa diante deles.

De acordo com Silva (1992) no livro Mal formado ou Mal informado, tanto o médico como o professor podem matar. O primeiro mata seu paciente, o segundo mata a mente de seu aluno, sua auto-estima e autoconfiança.

E aí, você está consciente do seu “Efeito Pigmaleão?”

Invista na auto-estima do seu aluno, além de incitar nele uma reflexão a cerca da realidade, deixe-o saber que você acredita na capacidade intelectual dele, para que ele consolide a sua autoconfiança, o primeiro passo é admitir a sua influência nesse processo, não acha?

Cito:

“Todos nós já sentimos a deliciosa emoção que se manifesta na relação [entre aluno-professor]: Eu estou sentindo o poder e a beleza de compreender, e meu mestre está satisfeito comigo, olhando-me com olhos de admiração.” (BOLOGNA, J.E. O poder do Olhar. São Paulo: Revista [eletrônica] Educação – Edição 149. Entrevista concedida a Rachel Bonino).

Referências Complementares:

FREIRE, Flavio. A interação professor-aluno e suas implicações pedagógica. Unopar Cient., Ciênc. Hum. Educ., Londrina, v. 1, n. 1, p. 115-121, jun. 2000.

SILVA, Ezequiel Theodoro da. Mal-formado ou mal-informado. In:_____. Os (des)caminhos da escola: traumatismos educacionais. 4ed. São Paulo: Cortez, 1992, p. 23-27.

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12766 – Acesso em 19 de março  de 2012.

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